Lumi ao Mór
Lumi ao Mór
-1-
Abriu a janela
Do quarto
Para que a madrugada pudesse
Lhe adentrar com seu silêncio
Visitando os recantos
De seu abandono
O descer do rio
Desceu pela janela em som
Para molhar seus ouvidos
E congelar sua imaginação
Ator_mentante
Tragou as nuvens serenas
Da névoa madrugal
E se entorpeceu do silêncio
Com sua cruel imprevisibilidade
Até se congelar vegetalmente
Inerte ao sabor do frio
De montanha
-2-
Seu coração incomodado
A pele ardente
Parecendo não lhe vestir mais tão bem
Uma falta absurda
Que somente ela fazia o dia se mover
E os sonhos
Por natureza interminantemente desejados
Calavam para apedrejar o coração com os silêncios vazios
-3-
A cascata de água
Jorrando branca e incessante
Mudava seu formato a cada instante
E assim se sentia
E observava, descabelado
A cachoeira liquemover-se
Mais a frente
Os olhos
Caiam mergulhando no vão florestal
Do encontro dos rios
Para ver encontrar naquelas águas
A simbiose com suas memórias
De cada rio um personagem
De cada gota
Uma almática mesclagem
A soberania das mudanças mais uma vez. . .
“Só o que está morto não muda...”
O pensamento, novamente,
Mas agora
Envolto de um contexto bio-lógico de biologias vivas
De grilos, gorjeios, água e pássaros
Assustou-se
Fechando os olhos para lembrar-se melhor
E, em devaneio, esqueceu-se de tudo
Viajou sem raciocínio ou lógica
Ao seu universo mneumônico
De seus mapeamentos psíquico-emocionais
-4-
As memórias visuais
Confusas
No mar de tantas táteis
Olfativas
E inexplicáveis como cores que só existem
Nos sonhos...
Inexplicáveis
Formas de se sentir
Ele sentia-se sem forma
Na madrugada torta
Sem saber como existir
Explodindo em clarões de imaginação
Seu corpo fundindo
Aos elementos do ‘em torno”
Numa estranha amplitude
Incompatível plenitude de vazios
Sem a alquimia ainda intensamente registrada por seu corpo
Na noite acordada e sem estrelas
Ele procurava sua juventude
Aos 22 anos de vida...
-5-
Aposentou o silêncio
E roncou profundamente
Era alérgico à cobertores e
Principalmente
Á solidão
Não
Revirou-se na cama
Acordou sem abrir os olhos
Aproveitou o abraço com seu travesseiro
Dormiu mais
E acordou novamente
Se misturando na escuridão daqueles lençóis
Carentes de calor
Insuportável
Abrir os olhos
Encarar uma realidade
Sem certeza de sonho algum
Mas precisando, precisamente
Levantou-se solar com o amanhecer
O rio continuava a passar
Com o som molhado pela janela
-6-
Um par de olhos
Parecia ser instigante
Mesmo eles estando fechados
Ela
/e/
A novidade
Tinham um jeito tímido
De adentrá-lo
Ele não entendendo o que aconteceu
Mas vivendo o presente
Por saber que não morreu
No mosaico do céu de estrelas
Não viu lua alguma
E sentiu-se assim
Como ela
Invisível
Invisíveis crateras
Idéias inexpressíveis
Sentimentos inefáveis
E desconhecidos até então
Olhou no olhos
Permitiu-se a novidade
Mas despencou subitamente
Seu corpo não o vestia
As memórias nele vivas
Quentes, dum calor que persistia
Dolorida e prazerosamente...
-7-
A aurora madrugal
O silêncio mais alto
E gelado de toda a noite
Nada calava, porém, seu desejo agitado
Que esmagando-se por forças naturais
Se sublimava em
S a u d a d e
Extensa
Fina e demorada
Indeterminada
Dolorosa e barulhenta
Precisar e não poder dormir
A novidade descansa...
Os poros imploram...
As memórias fervem...
Os dedos calam...
De calos
E os olhos espreitam
Sem precisar enxergar
A dança dos insetos no lustre..
A coreografia das árvores e sombras
Os barulhinho do puro vento fazendo curva
E um cheiro impregnante
De saudade
Um fora, semi-elétrica
Semi-química, semi-biológica e espiritual
Ele sentia todas as forças
Num único gole de sensação
Hiper-sentindo tudo, mór
Procurava um nome para aquele bolo de sentimentos . . .
Mas não encontrou ainda...
A palavra amor estava vazia demais
Pra vestir aquelas sensações
Desesperou-se indefinidamente...
Tentando definir-se
Lumi ao Mór
Uirah Felipe
-1-
Abriu a janela
Do quarto
Para que a madrugada pudesse
Lhe adentrar com seu silêncio
Visitando os recantos
De seu abandono
O descer do rio
Desceu pela janela em som
Para molhar seus ouvidos
E congelar sua imaginação
Ator_mentante
Tragou as nuvens serenas
Da névoa madrugal
E se entorpeceu do silêncio
Com sua cruel imprevisibilidade
Até se congelar vegetalmente
Inerte ao sabor do frio
De montanha
-2-
Seu coração incomodado
A pele ardente
Parecendo não lhe vestir mais tão bem
Uma falta absurda
Que somente ela fazia o dia se mover
E os sonhos
Por natureza interminantemente desejados
Calavam para apedrejar o coração com os silêncios vazios
-3-
A cascata de água
Jorrando branca e incessante
Mudava seu formato a cada instante
E assim se sentia
E observava, descabelado
A cachoeira liquemover-se
Mais a frente
Os olhos
Caiam mergulhando no vão florestal
Do encontro dos rios
Para ver encontrar naquelas águas
A simbiose com suas memórias
De cada rio um personagem
De cada gota
Uma almática mesclagem
A soberania das mudanças mais uma vez. . .
“Só o que está morto não muda...”
O pensamento, novamente,
Mas agora
Envolto de um contexto bio-lógico de biologias vivas
De grilos, gorjeios, água e pássaros
Assustou-se
Fechando os olhos para lembrar-se melhor
E, em devaneio, esqueceu-se de tudo
Viajou sem raciocínio ou lógica
Ao seu universo mneumônico
De seus mapeamentos psíquico-emocionais
-4-
As memórias visuais
Confusas
No mar de tantas táteis
Olfativas
E inexplicáveis como cores que só existem
Nos sonhos...
Inexplicáveis
Formas de se sentir
Ele sentia-se sem forma
Na madrugada torta
Sem saber como existir
Explodindo em clarões de imaginação
Seu corpo fundindo
Aos elementos do ‘em torno”
Numa estranha amplitude
Incompatível plenitude de vazios
Sem a alquimia ainda intensamente registrada por seu corpo
Na noite acordada e sem estrelas
Ele procurava sua juventude
Aos 22 anos de vida...
-5-
Aposentou o silêncio
E roncou profundamente
Era alérgico à cobertores e
Principalmente
Á solidão
Não
Revirou-se na cama
Acordou sem abrir os olhos
Aproveitou o abraço com seu travesseiro
Dormiu mais
E acordou novamente
Se misturando na escuridão daqueles lençóis
Carentes de calor
Insuportável
Abrir os olhos
Encarar uma realidade
Sem certeza de sonho algum
Mas precisando, precisamente
Levantou-se solar com o amanhecer
O rio continuava a passar
Com o som molhado pela janela
-6-
Um par de olhos
Parecia ser instigante
Mesmo eles estando fechados
Ela
/e/
A novidade
Tinham um jeito tímido
De adentrá-lo
Ele não entendendo o que aconteceu
Mas vivendo o presente
Por saber que não morreu
No mosaico do céu de estrelas
Não viu lua alguma
E sentiu-se assim
Como ela
Invisível
Invisíveis crateras
Idéias inexpressíveis
Sentimentos inefáveis
E desconhecidos até então
Olhou no olhos
Permitiu-se a novidade
Mas despencou subitamente
Seu corpo não o vestia
As memórias nele vivas
Quentes, dum calor que persistia
Dolorida e prazerosamente...
-7-
A aurora madrugal
O silêncio mais alto
E gelado de toda a noite
Nada calava, porém, seu desejo agitado
Que esmagando-se por forças naturais
Se sublimava em
S a u d a d e
Extensa
Fina e demorada
Indeterminada
Dolorosa e barulhenta
Precisar e não poder dormir
A novidade descansa...
Os poros imploram...
As memórias fervem...
Os dedos calam...
De calos
E os olhos espreitam
Sem precisar enxergar
A dança dos insetos no lustre..
A coreografia das árvores e sombras
Os barulhinho do puro vento fazendo curva
E um cheiro impregnante
De saudade
Um fora, semi-elétrica
Semi-química, semi-biológica e espiritual
Ele sentia todas as forças
Num único gole de sensação
Hiper-sentindo tudo, mór
Procurava um nome para aquele bolo de sentimentos . . .
Mas não encontrou ainda...
A palavra amor estava vazia demais
Pra vestir aquelas sensações
Desesperou-se indefinidamente...
Tentando definir-se
Lumi ao Mór
Uirah Felipe


0 Comments:
Postar um comentário
Links to this post:
Criar um link
<< Home