Domingo, Julho 24, 2005

Existe Normalidade?

Vidinha normal... Até parece!

Às vezes dá uma vontade incontrolável de experimentar como é ter uma vida normal. Será que é tão diferente assim? Ou será que as dificuldades e felicidades são as mesmas, quero dizer, no mesmo “nível” de “bad” ou de entusiasmo? É, não adianta muito ficar pensando, eu nunca vou saber como é se não viver uma vida normal. Tarde demais.... minha vida já começou muito louca e inusitada que mesmo que hoje ela fosse normal, não adiantaria, as lembranças não seriam, e as lembranças, são coisas extremamente atuais, só existem quando lembradas, mas, então, existem fazendo não somente parte do presente, como também, afetando-o.

Mas voltando a minha questão existencial do principio, porque me vem esses rasgos de pensamento desejando ter uma vida normal? Espera um pouco, você deve estar se perguntando o que é uma vida normal e o que não é, não é? Na real eu não acredito que exista, uma só, vida normal, todas têm suas particularidades e enigmas próprios. Mas, quando me refiro a ter uma vida normal, quando me refiro a VIDA, me refiro ao pacote de vantagens e desvantagens que agente ganha assim quando nasce. Quando falo de ter uma vida normal, talvez eu esteja mesmo querendo falar de ter ganho um pacote normal, ou seja, uma família normal!

Será que existe alguma família normal?




Reparei uma vez na novela e dava vontade de rir, de deboche mesmo, de tão pouco verossímil a coisa. Mas por outro lado, já observei, no mundo real, famílias estupidamente normais. De assustar, de causar estranheza tamanha normalidade. Pais casados, se amando, e o mais incrível, felizes! Filhos, mais de um, e um cachorro lindo. Situação estável. Irmãos amigos. Todos saudáveis. Tudo limpinho. Estranho não? Tão limpo que não parecia ter problema algum pela casa.

Como deve ser isso? Pra mim é de passar mal, não entendo porque. É como se tudo aquilo não pudesse ser real, como se toda aquela família fosse uma novela, um envelope que já vem com a carta escrita, ou melhor, uma grande encenação, de tão normais que eles eram. Aquelas gargalhadas, eram realmente felizes, ou eram simplesmente exibicionistas, como numa novela da vida real? Eu não sei nem nunca vou saber, mas me fica uma pulga atrás da orelha quando vejo as mães hiperburguesas com seus olhares hiperfelizes, e portanto, hiperblasés. Parece tudo tão plástico e frio por detrás de tantas hiperperfeições burguezinhas ridículas. Será que são felizes solitárias daquele jeito no palco burguês? São satisfeitas, esse é problema de muitas pessoas. . .

Tenho aprendido que o que é REAL nunca é REALmente ÓBVIO.

Uirah Felipe

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